sábado, 27 de março de 2010

Incidiosa inimiga

Sorrateira se esgueira,
Nas sombras espreita,
A oportunidade vil
De sequestrar ao seu covil.

Feiticiera manhosa,
Adestrada para o engodo,
Tem o domínio da prosa,
Impetuosa leva ao malogro;

Todo bem aspirado,
O projeto iluminado,
A sementeira de luz,
O caminho, a verdade que nos conduz,
O que dá sentido à própria vida
E a presença de Jesus.

Se alegra no mal falado.
Com a língua dourada
Em vão dá ares de honrada
Á palavra venenosa como um dardo.

Não há quem passe pela Terra
Sem provar-lhe o cálice peçonhento,
Nem na paz, nem na guerra,
A vil matreira não considera momentos.

Quem não aceita de sua mesa fazer parte,
Escolhendo prazeres iluminados, sadios,
Tão prontamente se torna mártir,
Sofrendo o amargor do ardil.

Professa a palavra perfeita,
Se refestela na hipocrisia.
Faz de conta que tem vida eleita
Riso e pôse, fingindo alegria.

Contando e recontando defeitos,
Para os outros sempre a reprovação.
Aponta condenando os imperfeitos,
Para si mesma, absolvição.

Quem não conhece na senda
A senhora de grande fama,
Gerada na maledicência,
O nome atirado na lama.

Quem abriga a nefasta tinhosa,
E se seduz na maldade,
Logo encontra nos braças da fofoca
A morte do ideal de bondade.

Ana Carolina