quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Do céu



Do céu velas por nós, almas encarceradas e rebeldes.

Do céu te desvelas na observação de nossas múltiplas necessidades.

Do céu advogas, misericordiosa, por teus filhos sofredores.

Do céu estendes tuas mãos dadivosas e lanças teu olhar rutilante de beleza celeste sobre nós.

Do céu declaras o amor soberano e profundo pelos filhos da dor neste vale de lágrimas.

Do céu recolhes nossas preces como quem colhe flores de rara beleza no deserto escaldante de nosso egoísmo.

Do céu ignoras nossas mesquinhas falhas para lembrares apenas de nossa destinação, pois conheces nossa procedência, embora hajamos como se ignorássemos.

Do céu projetas o pensamento lirial e puro de amor sobre o poço escuro das fraquezas humanas.

Do céu esplende, gloriosa mãe de esterna solicitude em homenagem ao filho seráfico que Deus te confiou.

Do céu serves sem contar o tempo que para tua alma não tem mais valor, pois o amor que nasceu em ti é infidável como o rolar das eras.

Do céu, no céu que te empenhas em inalgurar em nossos corações para contigo estar e nos alegrar na paz do olhar mavioso e pleno de inexalrível amor. Saibamos recolher em nós teu pensamento cândido de meigo, lírio místico de Nazaré, para encontrarmos a verdadeira felicidade na prática do bem pelo bem, da paz pela paz, despindo-nos das velhas e rotas fantasias para assumirmos nossa identidade sideral como filhos da luz, do amor em plenitude.

Recebe o eco das proces fervorosas de nossos lábios e faz-nos sentir um pouco da serenidade que desfrutam os santos de Deus, para sentirmos coragem e renovação na luta que travamos em nós mesmos.

Assim, erguemos nossas mãos em súplica a ti, mãe de imorredoura diligência, na esperança que nos levante e nos guie com nossos passos ainda incertos no caminho em direção ao teu filho e nosso irmão maior, dando-nos entrada um dia no teu céu, tão nosso e que nasce no imo de nossos corações. Oh, Maria do divino amor, que ousamos chamar de mãe.


Ana Carolina

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